Em 1926, o filósofo espanhol Ortega y Gasset, publicava seu livro A Rebelião das Massas.

O homem massa independe de classe social, profissão, partido político, ideologia etc, etc. Em resumo é aquele que tem “qualidade comum, é o mostrengo social, é o homem na medida em que não se diferencia de outros homens, mas que repeti em si um tipo genérico.”

Tipo genérico, repetidor de discursos prontos e devidamente formatados (que não deixa de dar algum prestígio em seu meio), que não se diferencia dos outros.

Basta um olhar despretensioso para identificar uma meia dúzia de homens massa, olhando um pouco mais atentamente, identifica-se uma série de organizações que tem por objetivo formatar e alimentar homens massa.

A psicanálise, ao contrário de trabalhar com o que é quantitativo, observável, comum e modelável, busca o subversivo.

Subversivo, do Latim SUBVERSIO, de SUB – “o que vem de baixo”, mais VERTERE, “virar”. A psicanálise busca o avesso, subverter aquele discurso enunciado pelo sujeito no divã, discurso que nem mesmo o sujeito imagina falsear e que, nas palavras de Mario Quintana, “crime que o próprio criminoso ignora”.

Análise dói, e deve doer!

Ao caírem as “mascaras” de identificações que servem como defesas para aquele que sofre, ao se deparar o com Isso que fala, Isso que goza, o homem massa deve se tornar cada vez mais sujeito e menos massa.

Quando Freud afirma trazer a “peste”, quem sabe se referia as ideias revolucionárias que abalariam o estado de coisas daquela moralidade sexual vigente, quem sabe ainda, se referia ao método subversivo que poderia abalar aquele modelo de homem massa.

Fugindo ao sentido mais preciso em que Freud dava ao termo metaforizado, em seu comentário com Jung, o que precisamos, é mesmo da “peste”!

Samuel Gouvêa Pereira