O Natal se aproxima e todos estão no clima de festividade e fraternização, o reencontro com familiares e amigos, os presentes tão esperados, as delícias que nossa oralidade agradece, certamente é uma data de muitas alegrias.

Momento de reflexão acerca do nascimento de Cristo e, quem sabe, se nos for permitido, refletir sobre nossos próprios “nascimentos”? Refiro-me a maiêutica de Sócrates, dar à luz, algo que está em nós e de alguma forma fazemos nascer, em linguagem aristotélica, passar da potência ao ato. O que fizemos nascer, o que ainda estamos gestando.

Neste período, mais precisamente, na virada do ano, somos tentados a fazermos projetos, planos e promessas que jamais cumpriremos ou, quem sabe, faremos acontecer em um formato diferente, mas o que nasceu e o que ficou em gravidez, neste ano que se passou?

O recalcado, por exemplo, pode ser comparado a algo que não quer nascer, melhor, se recusa a nascer. É um conteúdo que pretende ficar ali, mesmo que Isso fale e os sintomas apareçam, a barriga cresça, os enjoos sejam constantes, as dores e inchaço se manifestem no corpo. Qual é a nossa responsabilidade na ordem daquilo que nos queixamos.

Que esse Natal não se resuma a benesse estereotipada, aos sorrisos de lábios que choram, no dia em que a felicidade deva ser permitira ou atuada. Neste dia, que o clima natalino nos proporcione uma breve análise do que temos deixado nascer e morrer, o que estamos fazendo por nós e, para fechar nossas felicitações de natal, tomo as palavras de Freud – cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

Um feliz Natal!

 

Samuel Gouvêa Pereira

 

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