São Tomé ficou conhecido por ser alguém que precisava ver para crer, da mesma forma que precisava ver Cristo ressurreto para acreditar na ressurreição, diante do aforismo nietzschiano, diria – mostre-me o cadáver!

Existe uma constante busca por mapear nosso cérebro, compreender tudo quanto ainda é desconhecido. Seguindo o modelo mecanicista de René Descartes que comparava o homem a mais moderna máquina de sua época, o relógio, os estudiosos da coisa pensante seguem fazendo comparações semelhantes, porém, adotam modelos modernos, sofisticados e complexos como o computador, por exemplo.

O inconsciente freudiano não poderia escapar ileso desta antiga moda e muitos neurocientistas insistem nas “confirmações” das teorias de Sigmund Freud.

Ora, qual a importância de chancelas ditas científicas para nossa prática? O inconsciente é uma descoberta empírica observada por mais de 100 anos, dia após dia, nos settings analíticos.

Conforme as postulações de Freud, o inconsciente não pode ser localizado no cérebro, além de parecer um verdadeiro caos uma vez que, não obedece a lógica consciente – sem linearidade de espaço, temporalidade, contradições etc. Teóricos posteriores e continuadores de Freud, destacando Jacques Lacan, observam que no fundo desta aparente falta de lógica, está uma lógica, a lógica do inconsciente que, para Lacan, é estruturada como uma linguagem. A linguagem segue dois modos básicos de funcionamento, a metáfora e a metonímia. Lacan, aproxima as concepções do linguista russo Roman Jakobson, aos modos básicos de funcionamento do inconsciente, à saber, o deslocamento e a condensação.

O inconsciente é observado a todo instante em suas manifestações, atos falhos, sonhos, sintomas, chistes etc. Em análise, quem nunca se deparou com algum conteúdo que despertasse um espanto seguido de um – como eu nunca havia reparado nisto?

Seguindo a pergunta de Pilatos, “quid est veritas”, concluo que a verdade não precisa seguir uma materialidade, mas pode ser observada quando manifesta. A verdade do sujeito se impõe e para isto não é preciso “provas”, está evidenciado nas quatro paredes do setting analítico, Isso és tu!, é inquestionável. Se o homem é um relógio, nos interessa o momento e o andar das horas.

Samuel Gouvêa Pereira