No mito de Er (Platão), depois da morte, tendo consciência da vida anterior, o sujeito se encontra diante da possibilidade de escolher uma nova vida.

Levando em consideração toda experiência precedente, deve-se escolher da melhor forma, mas sem garantias de maiores sucessos, como se viveria a próxima “existência”.

Na linguagem mito poética, Platão, procurava deixar uma imagem verossímil da realidade, o filósofo não está tratando de questões reencarnacionistas, mas, como Cristo, fala por uma parábola de coisas reais.

Voltando ao mito, em muitas situações da vida o sujeito se depara com a morte, não com o óbito propriamente dito, mas com as nossas “pequenas” mortes diante das quais podemos fazer novas escolhas. Trata, por exemplo, de experiências de quase morte (óbito) e, mais precisamente, ocasiões de mortes particulares de vivências, vícios, virtudes, crenças, projetos etc.

Como disse Freud – “se queres viver, aprende a morrer”. A “morte” deve ensinar e, diante desta, temos a possibilidade, assim como Er, de escolher novos caminhos e crescer.

Sabendo morrer, crescer e viver, talvez possamos ter um apelo diferente daquele de Bocage:

“Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.”

Se alguma coisa houver de morrer, que seja para um melhor viver!

 

Samuel Gouvêa Pereira

 

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