Havia na Grécia, na cidade de Delfos, um templo dedicado ao deus da sabedoria, Apollo, no pórtico de entrada deste havia a insígnia: “Conhece-te a ti mesmo”.

Certa feita um homem grego, andarilho que passava seus dias dialogando pelas ruas e praças de Athenas, foi ao santuário consultar o oráculo, pois, em sua cidade todos os julgavam sábio.

Ele em sua ignorância, inquieto, desejava saber o que significava ser chamado sábio e porque era reconhecido assim, provavelmente injustamente, pelo caminho, seguiu seu destino.

Logo na entrada do santuário se deparou com a mensagem no pórtico, “conhece-te a ti mesmo”, refletiu por alguns minutos, quem sabe horas, imóvel, como era de habito, por fim adentrou rumo ao encontro da oráculo, sim, era uma mulher.

A oráculo perguntou-lhe: Sócrates, o que tu sabes?

Ao que respondeu: “Sei que nada sei!”

Diante dessa resposta a oráculo declarou: Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe!

O princípio da sabedoria é, sem dúvida, saber que nada sabe. Saber é saber que se sabe, é ter consciência, é evidente que muitos nada sabem, mas pensam saber um bocado.

Aquele que sabe que já sabe, sem de fato saber, sabe demais e pouco espaço, além de interesse, tem para preencher seu ser abarrotado de sabedoria.

A própria sabedoria tem por princípio nunca ser sabida, toda fome e sede pelo saber jamais poderá alcançar algo que chegue perto de sua plenitude, de toda a sua profundidade. Como figuras de linguagem, fome e sede de sabedoria, não poderiam ilustrar melhor, afinal, sede e fome são insaciáveis e, até o último dia de nossas vidas teremos de comer e beber.

Se buscamos um dia sermos conhecidos como sábios, mesmo com estatura bem menos que a de Sócrates, não entendendo do que se trate, é preciso dois movimentos essenciais.

Primeiro, busque as respostas do que sabe, investigue, seja crítico, e quem sabe possa alcançar o primeiro movimento: Saber que nada sabe.

A partir de então, desejando com fome voraz conhecer algo, comece pelo que seria o segundo movimento: Conhece-te a ti mesmo.

Samuel Gouveper

 

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